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Eduardo Maçan

João, mandando bem. 🙂

João Dallamuta

Mais um apagão, este atingiu 11 estados nesta terça feira. Este tipo de evento esta se tornando mais comum nos últimos anos no Brasil, nos últimos 3 anos foram 181 eventos acima de 100 megawatts, que representa o consumo de uma população de 300 mil habitantes aproximadamente.
Sem utilizar uma linguagem tecnicista, comum na engenharia, vou tentar explicar aos amigos e colegas o que esta acontecendo.
O sistema elétrico brasileiro tem capacidade para 127 GW.h de potencia instalada. São 3043 fontes geradoras e dezenas de milhares de centros de carga (subestações). Interligam este sistema milhares de quilômetros de linhas de transmissão. Como o consumo de eletricidade esta associado à atividade econômica, ele cresce na mesma razão da economia, mesmo com o crescimento do PIB baixo isto representa algo como 3,5% em média por ano. Isto representa uma nova Itaipu a cada 3,5 anos e isto requer muito planejamento e continuidade de política de estado.
Qualquer conhecedor da realidade brasileira sabe que não temos a mínima vocação como nação para planejar nada, o que dirá planejar a longo prazo.
Tal qual o sujeito que vive no limite do cheque especial e do cartão de credito o governo brasileiro remenda nosso sistema elétrico que esta sempre no limite. Não estou falando do atual governo e sim de TODOS OS GOVERNOS NOS ÚLTIMOS 40 ANOS.
Agora vamos voltar a questão técnica. Porque existe um “apagão”? Ele acontece quando a carga (consumidores) requer mais energia do que a fonte (usinas) pode gerar naquele momento. Então para diminuir o consumo e estabilizar o sistema é realizado o desligamento de consumidores (no evento de ontem foram 17 subestações desligadas). Estes consumidores de áreas desligadas constituem a população atingida pelo “apagão”, se não houver desligamento ai o sistema como um todo se torna instável.
O sistema elétrico todo o tempo sobre perturbações, ventos, raios, queima de equipamentos, erros de operadores por exemplo. Para evitar problemas ele é sempre projetado com reservas e redundâncias. Uma torre de transmissão cai, mas outra linha mantém o fornecimento. Um transformador entra em manutenção e outro absorve o incremento de carga.
Porem nosso sistema elétrico, aquele que precisa de uma Itaipu a cada 3,5 anos, já gastou a sua redundância pela falta de investimentos (e isto repito há décadas, não é obra deste governo). Sem redundância, operando no gargalo, raios, tempestades, erros de operação, queima de equipamentos geram interrupção (apagão).
Ai entra o atual governo na história. Quando em 2001 o governo FHC vivia uma crise de capacidade de geração a oposição tratou de capitalizar aquele problema, transformando em uma bandeira política de desgaste do governo. Apagões em grande escala no Brasil existem deste 1971.
Acontece que tal qual FHC, os governo que o sucedeu pouco ou nada fez, alem de remendos, para resolver o problema. Porem com um agravante. O GOVERNO NOS ÚLTIMOS 11 ANOS NEGA QUE EXISTE ALGUM PROBLEMA.
Sem a honestidade intelectual para reconhecer que existem problemas, a situação só se agrava. Quando há um blecaute a explicação rasa sempre vem no dia seguinte: Um raio, um vento, um erro do operador.
Você esta dirigindo a 140Km/h em uma estrada sem acostamento. Um animal atravessa a pista e você capota o carro. A culpa é do animal que cruzou a pista ou da velocidade incompatível com aquela estrada?
O verdadeiro problema é que o sistema elétrico brasileiro sempre opera no gargalo, tal qual nossas estradas, portos, aeroportos é vitima da falta de políticas de estado. Mas sempre a culpa é de um raio, chuva, falta de chupa ou operador humano.
Alem da falta de políticas de estado, também existem maquiagens eleitoreiras. Há um ano atrás as tarifas de energia residenciais caíram 20% por decisão do governo. Isto trouxe dois bônus políticos. O primeiro é um aumento da popularidade do governo o segundo foi garantir que a inflação não distancia-se ainda mais da meta nunca alcançada pelo atual governo.
O problema é que esta é uma conta que não trás ganhos. Se de um lado a energia é mais barata do outro o tesouro precisa injetar dinheiro para cobrir os rombos que aquela “cortesia” gerou. Energia mais barata, mas gasolina, alimentos abarrotados de impostos para compensar o subsídio.
Com energia mais barata e credito para a linha branca o consumo aumenta. O consumo residencial no nordeste em 2013 cresceu 12%. Nada contra o direito do povo nordestino de ter acesso ao conforto de refrigeradores e ar condicionado.
A questão é que a velha lei da oferta e da procura funciona de forma implacável. Com aumento de consumo e escassez de energia o preço aumenta. A energia do mercado livre (aquela que o gerador tem disponível e não tem contrato assinado) subiu 314%. Isto significa que a diferença de custo para as distribuidoras que fornecem ao consumidor residencial será bancada por um fundo do tesouro (mais dinheiro do contribuinte), já a industria que precisa contratar energia no mercado livre terá mais um aumento de custo Brasil.
Algumas industrias diante da enorme valorização da energia elétrica nas ultimas semanas estão negociando sua cota de energia no mercado livre e parando de produzir. Esta mais vantajoso vender energia do que a atividade fim.
Problemas de estado se resolvem com um estadista e isto INFELIZMENTE há muitas décadas não temos no Brasil.

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