Quem semeia (cabeças-de-)vento...

Há meses tento me poupar do estresse extra de escrever sobre essa gentalha e esse pensamento ralo que permeiam nossa sociedade. Tenho me resignado a ler e acenar afirmativamente com a cabeça para as pessoas que mantêm o idealismo tentando chamar a atenção para as mazelas auto-infligidas do mundo. Tenho problemas pessoais a resolver, muitos. Cansei de jogar pérolas aos porcos porque os porcos não sabem distinguir a pérola da mistura de lama com a própria sujeira em que vivem. O que é pior: Tendem a preferir a sujeira.

Por isso que eu digo: "Não tente ensinar um porco a cantar, você perde seu tempo e incomoda o porco" (Autor desconhecido -- ao menos por mim) Eu resolvi cuidar apenas da minha vida e daqueles que dela dependerem. Live and Let Die, mas...

Há alguns dias, lendo as notícias sobre o espancamento da doméstica Sirley, no Rio de Janeiro, me contive ao ler as declarações do pai de um dos acusados: "Gostaria de dar uma surra nele, mas não posso", "O que um pai pode fazer contra as drogas, essas raves e bla bla bla?" e baboseiras do gênero. (aqui um artigo de uma psicóloga sobre a atual falta de limites que achei muito pertinente - aqui pra quem é assinante do uol)

Eu respondo de maneira simples: "Seja Pai/Mãe de verdade ou não tenha filhos". Deviam criar um modo de tornar as pessoas estéreis até que houvesse comprovação da qualificação para a (m/p)aternidade. Deveria ser emitida licença com expiração anual e a verificação deveria se dar mediante exame por uma junta mista de psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e religiosos.

Enquanto estes que estão por aí não tiverem a mínima noção de como se educam pessoas e continuarem ignorando solenemente os valores mais fundamentais que deveriam ser oferecidos, demonstrados, ensinados e exigidos de todo ser humano desde bebê, como "Honra", "Lealdade", "Compromisso", "Palavra", "Respeito", "Religião", "Amor filial" e "Limites", nossa sociedade vai continuar produzindo em massa aberrações como essas que vemos nos noticiários.

Hoje, ler isso me cortou o coração.

Minha mãe tinha uma técnica para quando os filhotes de gato que eu tinha faziam caca dentro de casa: ela pegava o filhote e esfregava seu focinho na sujeira antes de limpar. Funcionava maravilhosamente.

Isso que vemos é a maneira que a sociedade tem de esfregar o focinho de seus membros na sujeira que eles mesmo produzem. Pena que o brasileiro médio é menos inteligente que um filhote de gato.

  12 comments for “Quem semeia (cabeças-de-)vento...

  1. 05/07/2007 at 10:38

    Animalidade sem dúvida só é coisa dos seres humanos, animais são mais nobres e inteligentes.

    Educação falida gera filhos para uma nação falida.

  2. 05/07/2007 at 11:25

    Ei Fike!!! Pois é... vai demorar gerações até que se consertem (se é que um dia irão) os traumas sociais causados pelo movimento da "contracultura" dos anos 60 e seu "é proibido proibir" e da Ditadura Militar, graças à qual hoje professor é desvalorizado, político é cheio de im(p)unidade e bandido de "direitos humanos"...

    Mas e aí, fike... a pergunta que não quer calar é: E a maratona? Como foi? 😀 😉

  3. 05/07/2007 at 14:51

    Pois, Du, e ainda dizemos que o mundo esta em evolução, não canso de questionar que evolução é essa, como já disse e irei dizer muiiiitttooo!!
    Agora uma que achei correta, afinal o que a mãe iria fazer?? A que acorrentou o filho de 17 anos, devido ao vicio e pelo medo de perder o menino (http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL63418-5598,00.html)!!

    É essa a nossa realidade, diária, cada dia um que é espancado e a noticia divulgada, e o que fazem? Nada...

  4. 05/07/2007 at 16:11

    Putz, a que ponto chega o abandono!

    Não fala na matéria, mas é capaz da mãe ter sido presa, né?

  5. 05/07/2007 at 20:14

    Ela não foi presa. O Juiz considerou como uma atitude de desespero e amor. 😉

    Vou postar sobre a corrida. 😛

  6. 05/07/2007 at 20:16

    Eu ainda estou recuperando meu joelho... :/

  7. 05/07/2007 at 23:01

    Digamos que acorrentar um filho não resolve as coisas, mais abre os olhos da sociedade e rende uma matéria ótima...
    Se acorrentar, espancar, matar, etc... resolve-se não teria nada de ruim nesse país..
    Como diz meu pai: se não aprende no amor, aprende na dor...
    pena que esta teoria não serve pra todos, ultimamente nem na dor as pessoas costumam aprender!
    Então pra que sentir pena de pessoas assim?!
    talvez pq nós como poucas pessoas existentes no mundo temos vontade de expressar a insatisfação com a vida que nos é proporcionada!
    talvez pq essas pessoas não tenham meios de internar seu filho dependente químico a não ser fazendo um joguete barato com a midia...

    E por ai vai.. começa com uma mãe acorrentando o filho e daqui uns dias vira moda...
    A mãe do muleke não foi presa, mas de quebra ganhou acompanhamento psicológico
    duvido que daki uns dias ela naum esteja internada no lugar do filho, pq as pessoas achem um absurdo prender um jovem de 17 anos e é como disseram ai em cima e os direitos humanos do pobre coitado..

    Esse mundo ta todo errado..
    Paraaaaaaa que eu quero descer.. rs

  8. Diogo Dornas
    05/07/2007 at 23:24

    só discordo da postura de considerar “Religião” como valor fundamental.....

    Não sou ateu mas a MUITOS anos que não sigo nenhuma religião (desde os meus 12 anos pra ser mais exato, meus pais sempre me deram a liberdade de escolher o que eu gotaria de seguri e eu optei por nada), e nem por isso sou pior (ou melhor) que ninguem, acho que é uma questão de respeito mesmo e limites mesmo, falta muito isso ultimamente em nosso mundo. Mas aidna acredito na raça humana, tenho esperanças nela é como dizem por ai "Sou brasileiro e não desisto numca!" e acho que se cada um de nós fizer algo para mudar, por pouco que pareça e seja, na soma acaba fazendo a diferença

  9. 06/07/2007 at 00:11

    Eu acredito que o melhor que posso EFETIVAMENTE fazer é educar meus filhos de maneira que eles crescam respeitando valores e torcer para que eles possam educar seus filhos a respeitarem valores.

    Se cada indivíduo em minha descendência tiver 2 descententes, em algumas geracoes terei influenciado uma pequena multidão 😛

  10. 06/07/2007 at 19:06

    Bem, nem tanto pela religião e suas práticas e doutrinas. Mas sim pela noção de respeito ao que é divino, sagrado, ou seja, a própria vida. E isso e nada, têm sido sinônimos para grande parte dessas crianças. Bem ou mal, ainda que não siga nenhuma religião, você (provavelmente) recebeu valores de amor e respeito ao próximo, e a dimensão que existe um Eu Superior, algo que esteja fora da sua dimensão, enfim, a sua concepção do que eu chamo e acredito ser Deus. Mas discutir isso aqui não é minha intenção.

    A realidade que observo todos os dias é que Deus e nada, na cabeça de grande parte das crianças, são a mesma coisa. E que elas não tem limite algum. E queira ou não, sem essa noção do que é divino, como respeitar o outro, como ser humano? Valores são imprescindíveis, e precisam de fundamentos. Religiões não resolvem todos os problemas e mazelas da sociedade, mas ainda sim, ensinam valores, que sem dúvida, deveriam acompanhar o desenvolvimento de qualquer ser humano.
    Muito além do que estabelecer regras quanto a crença, mas ensinar a estes pequenos a valorizar e respeitar a vida que os cercam, e que sim, ela é sagrada, e preciosa.

  11. 06/07/2007 at 19:08

    pequeno acerto: (...) para que percebam, que sim, ela é sagrada e preciosa.

  12. 13/07/2007 at 09:40

    Fui ler o artigo sobre a servente pisoteada pelos alunos e depois acabei parando no artigo que falava de uma diretora, que teve sua casa invadida e seu carro incendiado por dois alunos. Well, eu havia escolhido para mim ser professora. Passei anos de minha vida cursando Letras, me preparando para dar um retorno à sociedade. Sim, eu já fui totalmente visionária, mas agora estou me inscrevendo em concursos que nada têm haver com a profissão que escolhi. Por que? Insegurança. Sei que muitos alunos que estão aí precisando de apoio perdem com a desistência de alguns educadores, mas o fato é que a sociedade está nos impelindo a pensar em nossa segurança antes de tudo. Não quero ser agredida, não quero ser desrespeitada e infelizmente o preço é minha desistência.
    Fico frustrada em ter que me afastar de algo que sonhei e de algo que eu busquei como parte de minha vida, mas os casos de violência pipocam e eu não vou pagar pra ver mesmo. Há momentos que temos que usar o bom senso e nos retirar de cena. Por isso estou cá às voltas com novas possibilidades de trabalhar, sem correr o risco de não voltar pra casa.

    Abraços, Du.

    Jana C.

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