Música e Liderança

Hoje é o Dia do Rock e resolvi contar pra vocês sobre como a música me influencia. Tecnicamente eu tenho uma banda, mas em seis meses, conseguimos nos encontrar apenas duas vezes, já que o calendário simplesmente não coopera.

Pra quem não sabe, eu me interessei por música e comecei a brincar com instrumentos desde antes de escrever a primeira linha de código, o Kraftwerk e os sintetizadores me ensinaram desde cedo que as duas coisas estavam ligadas.

Até que um dia passei pela transição para a liderança. E foi nesse momento que me vi frente a frente com uma questão que nenhum livro de engenharia me preparou para responder: qual é o meu valor agora que meu papel não é mais gerar artefatos tangíveis no produto?

A resposta veio de Benjamin Zander, maestro da Boston Philharmonic Orchestra. Assisti uma gravação de uma palestra dele sobre seu livro “A arte da possibilidade”, no Fórum Mundial de Davos, em 2009, por acaso. A apresentação me impactou tanto que salvei o stream com receio que o tirassem do ar. Até hoje eu o reassisto, de tempos em tempos.

Ele contava que quando olhava para a capa dos discos que gravou, percebia uma coisa: era o único ali que aparecia na capa, cheio de pose. E também o único que não produzia nenhum som. A crise existencial que ele experimentou era a mesma que eu estava enfrentando.

A conclusão que ele chegou é simples, precisa e inspiradora: o papel do líder é fazer com que as pessoas ao redor entreguem a sua melhor performance, com brilho nos olhos. A batuta não produz som, mas é a pessoa que a segura que faz tudo soar no tempo certo e com a intensidade correta. Em suas palavras: “O condutor da orquestra não produz som algum. Seu poder depende de sua habilidade em tornar as outras pessoas poderosas”.

Essa ideia resolveu minha crise de identidade, virou referência central de como penso liderança: time com autonomia, ambiente onde as pessoas crescem, resultado sem rastro de sangue. Hoje, com tanta conversa em torno de Agentes de IA, métricas e ferramentas e cada vez menos sobre ambiente e pessoas, essa convicção tá sendo testada de novo. É um dilema novo da liderança que ainda não vi ninguém debater direito e que eu mesmo ainda não resolvi completamente.

A guitarra ajuda nesses momentos. Inclusive, só queria deixar registrado aqui que há dois anos me chamaram para o show de talentos da Creditas. Falei que não estava preparado, pois havia uns 10 anos que eu não tocava, mas que no ano seguinte estaria. E adivinhem só? No ano seguinte o show de talentos não aconteceu, mas já deixo avisado: Highway to Hell do AC/DC tá bem ensaiada aqui. Só por precaução.

E já que esse aqui é um ambiente profissional, vai uma reflexão de carreira ligada ao vídeo do post: Na carreira, como na vida, a gente vai pro céu de escada… mas descer é pela pista expressa! Parafraseando um outro artista do blues moderno que eu admiro pacas, Kirk Fletcher: KEEP ON PUSHING!


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