Ferramentas de IA

Segundo Larry Wall, criador da linguagem Perl, a preguiça é uma das maiores virtudes de um bom programador, pois o obriga a tomar os caminhos mais simples para a resolução de um problema. Nunca discordei. Aliás, eu também ocasionalmente experimentei impaciência: Tinha as ideias bem estruturadas na cabeça, sabia exatamente o que precisava construir… o que me consumia era o tempo de traduzir cada pedacinho do modelo mental em código. Iam horas entre a ideia e finalmente ver o resultado final.

Desde que a IA Generativa para código se viabilizou, o cenário mudou muito, e muito rápido. Com ferramentas como o Claude Code, Opencode, etc, esse tempo de tradução virou praticamente instantâneo. Você passa especificações bem estruturadas para o agente, ele devolve o texto, você avalia e segue.

Um dos saltos que a Anthropic soube dar também com o Cowork é a forma como ele resolve os problemas do dia-a-dia. Modelos de linguagem são probabilísticos e tarefas objetivas precisam de execução precisa, que os primeiros modelos não eram capazes de realizar sozinhos. O Claude cria programas para executar a parte determinística da tarefa enquanto mantém a interação em linguagem natural. Você pediu pra ele analizar os dados de uma planilha e gerar uma apresentação? Ele fez um programa em python para resolver seu problema e talvez você nem tenha percebido.

Existem várias maneiras diferentes de se fazer um programa que resolve uma tarefa corretamente. O programa gerado é a camada de acoplamento que elimina a fricção entre a natureza probabilística das LLMs e a necessidade determinística dos problemas do dia-a-dia.

Isso torna a ferramenta poderosa na mão de quem desenvolve e traz o poder da programação pra quem não programa.

Na Creditas, essa adoção aconteceu de forma orgânica e acelerada. Fui um dos primeiros a observar o potencial ainda no final do ano passado, e quando a visão se consolidou na liderança, se espalhou pela empresa inteira. Reforça exatamente o que entendemos por AI-First: IA presente nos processos técnicos e nos de negócio.

Tem uma observação honesta que carrego nesse processo: a velocidade de construção aumentou muito, e junto com ela veio uma contrapartida que poucos falam. Você fica mais distante do que constrói. O julgamento sobre se o código é coerente, se vai escalar, se está sendo bem arquitetado, esse exercício ficou mais exigente. Para mim, esse é o grande desafio da programação nesse novo contexto: equilibrar a velocidade que ganhamos com o entendimento do que estamos construindo.


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