Ontem foi Dia das Crianças e me lembrei do meu primeiro computador. Eu ganhei “mais ou menos nessa data” porque foi no comecinho de outubro. O trato tinha sido fechado quase um ano antes, mas o presente só veio depois da comercialização da safra na fazenda. Meu pai apostava que eu ia esquecer o assunto no meio do caminho. Eu não esqueci, fiquei o ano todo esperando, e nesse tempo todo eu programava sem computador nenhum, escrevendo os programas no papel, com lápis, e simulando o resultado de cabeça. Trato é trato. Ele teve que cumprir.
Não muito tempo depois de ganhar o computador, fiz um jogo baseado exatamente no trabalho que tive que fazer pra conquistá-lo. Simulava um agricultor que tinha que impedir que as pombas comessem sua lavoura (isso acontecia, naquela época!).
O jogo era impossível de vencer, e por incrível que pareça, meu pai não achou a menor graça.
Fui superabundante e privilegiado em bons exemplos. Meu pai é um diamante de talento em estado bruto, um artista autodidata (ele desenha pacas) e um maker raiz, do tipo que resolvia qualquer coisa na oficina da fazenda, em metal, em madeira. Como eu não tinha acesso aos brinquedos que via na TV, usei essa oficina e esses exemplos pra construir os meus próprios desde cedo. Continuo construindo meus próprios brinquedos até hoje, só que a maioria agora é em software.
Teve um dia, eu devia ter uns 14 anos, em que ele me colocou num trator pela primeira vez e me deixou trabalhar a terra com ele. A frase que ele disse naquele momento eu carrego no meu estilo de liderança até hoje: “se você um dia quiser saber mandar, tem que saber fazer”. É um presente que ele me deu, mas que vem com um custo alto, porque tecnologia e software são campos vastos demais pra alguém manter proficiência em tudo que surge, especialmente quando você avança na carreira e se distancia do mão-na-massa.
Do outro lado tinha minha mãe, com uma curiosidade sem fim e uma busca constante por conhecimento. Foi ela que me incentivou, lutou por mim e me colocou na trilha que eu persigo até hoje. Uma frase dela que repito sempre: “a melhor maneira de aprender alguma coisa é ensinar sobre ela”. Hoje entendo que meu pai me ensinou a aplicar e minha mãe me ensinou a buscar o horizonte.
Eu refiz o jogo do pombo usando IA e fiz umas melhorias pra ele rodar num emulador de MSX em browser, com uma “experiência imersiva” que fica completa num desktop.
Clique Aqui para Jogar e me diga depois quantos pombos você conseguiu capturar.




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