Restrições sobre modelos State of the Art (SOTA)

No último sábado, enquanto aguardávamos pela estreia do Brasil na Copa, fomos surpreendidos pela restrição ao uso do modelo Fable 5 da Anthropic, que a partir de então só poderá ser usada por cidadãos americanos.

Houve muita especulação sobre a motivação dessa restrição atribuída a uma potencial ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos. As consequências para o uso deste e outros modelos avançados ainda precisa ser entendida, mas não deveria surpreender.

Este tipo de restrição à “exportação de software” não é inédita. Nos anos 90, software de criptografia forte também tinha restrições de exportação, o que levou a netscape a produzir duas versões de seu navegador, uma “US Edition” e outra “International Edition”, com limitações no tamanho de chave criptográfica.

O software PGP (Pretty Good Privacy) também tem uma história interessante. Era proibido exportar software, mas não existia nenhuma restrição à exportação de livros, então o código fonte do PGP foi impresso, exportado, depois digitado novamente, criando uma versão do software fora dos Estados Unidos.

Pessoas fizeram camisetas “export restricted” com implementações do algoritmo RSA em poucas linhas de Perl, existem histórias de pessoas tatuando o algoritmo para serem elas mesmas “export restricted”, questionando essas regras com bom humor. A informação tende a encontrar um caminho para fluir.

No caso da restrição aos modelos, eu acredito que em breve voltaremos a ter acesso às ultimas versões, com guardrails ou limitações específicas. Talvez tenhamos que amargar estar sempre uma versão abaixo dos últimos modelos, quem sabe? O que não dá pra negar é que isso é um grande incentivo para empresas de fora dos Estados Unidos, especialmente para a China.

E dos modelos abertos, que eu insisto, são o futuro. Só precisamos mesmo é ter modelos completamente opensource e uma infraestrutura onde consigamos treiná-los de maneira transparente. Isso ainda está distante porque não é economicamente viável.


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